Especialistas ensinam a enfrentar o desemprego e se preparar para o mercado

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, assustam: o desemprego no Rio de Janeiro atinge cerca de 1,3 milhão de pessoas, ou seja, 15,6% da população. Por isso, o EXTRA ouviu especialistas que mostram como lidar com a demissão e, o mais importante, como dar a volta por cima e conseguir um emprego ainda melhor.

Especialista em Recursos Humanos, Nayara Cardoso lembra que perder o emprego neste momento de dificuldade econômica não acontece apenas com profissionais de um determinado nível social ou escolaridade:

— Pode acontecer com qualquer um e é normal. O primeiro passo é tentar entender o que aconteceu. Em momentos de crise, alguns comportamentos deixam o profissional em risco, como pessoas que não se atualizam ou que não se qualificam. É importante ver quais foram os erros e voltar a se qualificar — explica a professora de Recursos Humanos da Mackenzie Rio.

Fernanda Ramos, de 22 anos, trabalhava como auxiliar administrativo, mas perdeu o emprego no fim do ano passado. Enquanto procura uma oportunidade na área, a jovem passou a vender roupas com a mãe e se matriculou em um curso de inglês:

— Eu já tinha estudado inglês, mas não tinha segurança para falar. Comecei um curso, porque os trabalhos exigem a fluência no idioma.

Leiza Oliveira, especialista em carreira e presidente da Minds Idioma, repara essa mudança no perfil dos alunos:

— Agora, a maioria está preocupada com a parte profissional. As pessoas percebem que precisam ter o inglês em dia, para melhorar o currículo e manter ou conseguir emprego.

Para driblar o desemprego, voltar para a sala de aula é uma das recomendações do especialista em gestão de carreiras e recolocação profissional, Luiz Fernando Barbieri.

— O sucesso de uma carreira tem três aspectos: competências, autoconhecimento e networking, ou seja, uma boa rede de contatos profissionais. As competências estão embasadas no conceito de que você possui: C-H-A, que significa: conhecimento (saber), habilidade (saber fazer) e atitude (querer fazer). Verifique em qual ponto não possui competência. Faltou-lhe habilidade no sistema da empresa? Faltou proatividade, ou seja, ficou acomodado com o tempo? Não tem conhecimento de inglês? — explica o coordenador do MBA em Gestão de Processos do Ibmec Rio.

Psicóloga clínica e sócia da Trajeto RH, Luciana Guedes Pinto explica que uma coisa importante no processo de se realocar é estar bem.

— Na entrevista, se o candidato está desanimado, o recrutador vai perceber. A pessoa precisa saber seus pontos fortes e saber o que quer, para ter foco. Não adianta atirar para todos os lados. Mais do que fazer um currículo, é preciso ver quais são seus sonhos e se inscrever nos sites das empresas em que deseja trabalhar, além de sites de vagas. Precisa decidir por uma área e lembrar de amigos e conhecidos que já atuam nela. Essa rede de contatos é importantíssima.

Sem desanimar

Perder o emprego pode deixar a pessoa se sentindo desanimada, rejeitada e com a autoestima bem abalada. Apesar disso tudo, é importante não se deixar levar pelos sentimentos negativos, segundo o médico psiquiatra Mario Louzã.

— A pessoa pode separar o lado subjetivo da demissão, do lado objetivo, distinguindo os aspectos mais realistas dos motivos do desligamento. A partir daí pode se recompor gradualmente e sair em busca de uma alternativa.

A família e os amigos exercem um papel fundamental:

— Eles podem oferecer apoio emocional para o desempregado, buscando tirá-lo da sensação de frustração e vergonha.

Em alguns casos, o mais recomendado é procurar auxílio psiquiátrico ou psicológico. Há universidades que oferecem atendimentos de graça.

Confira

Avalie as opções

Não procure apenas novos empregos na área em que já trabalhou. Esse pode ser o momento de abrir horizontes e de ganhar dinheiro, mesmo que temporariamente, com outros talentos, como artesanato e culinária. Muitas pessoas também podem aproveitar os recursos da rescisão para investir no sonho de empreender e abrir um negócio próprio.

Reflita

Avalie seus pontos fortes e fracos para ver o que é necessário para voltar para o mercado de trabalho. Cursos gratuitos ocupam a cabeça e podem melhorar o currículo. Além disso, podem ser um pontapé para quem quer mudar de carreira.

A Fundação Getulio Vargas (FGV) oferece cursos online, no site www5.fgv.br/fgvonline/Cursos/Gratuitos. Algumas opções gratuitas são “Introdução à Administração Estratégica”, “Recursos Humanos” e “Fundamentos da Gestão de TI”.

O Sesi e o Senai também disponibilizam aulas livres, sem custo para os interessados, no site https://eadsenaies.com.br, com certificação. Algumas alternativas são “Fundamentos de Logística”, “Redação Administrativa”, “Comunicação no Foco Organizacional” e “Tecnologia da Informação e Comunicação”.

De olho na saúde

Preste atenção na sua saúde mental e física. Aproveite para fazer atividades gratuitas, como caminhadas, pois se manter em forma vai fazer você se sentir e parecer melhor.

Cuidado redobrado

Evite falar mal da empresa ou do chefe. Além de ser antiético, você não sabe se os colegas e gestores podem indicá-lo para vagas em outras empresas.

Use as redes sociais da maneira certa

As redes sociais servem para manter contato com amigos, parentes, colegas e ex-colegas de trabalho. Desse contato, pode surgir uma nova oportunidade de emprego e ter um perfil no LinkedIn é fundamental.

— É uma ferramenta de trabalho. Quem não é visto, não será lembrado. Além disso, por lá, as pessoas podem avaliar o seu trabalho e isso é uma fonte de análise para os recrutadores que procuram os currículos dos profissionais no site — afirma o especialista em gestão de carreiras, Luiz Fernando Barbieri.

Luciana Guedes Pinto, sócia da Trajeto RH, lembra que os perfis em outras redes, como Facebook, também são analisados pelas empresas:

— É importante evitar postagens do tipo “eu odeio trabalhar”. Por mais que seja uma piada, não pega bem, porque os perfis falam muito sobre a personalidade.

Monte um currículo nota 10

O currículo é a primeira impressão que a empresa terá sobre você, por isso, envie um documento bem escrito, organizado e sem erros de português ou de digitação. Peça que um amigo revise para verificar se algum erro passou despercebido.

Informe os dados pessoais — como nome, telefone, e-mail e idade — atualizados. Não use e-mails com apelidos e brincadeiras. Crie um e-mail profissional e sempre fique de olho nele, porque essa é a forma de contato preferida de várias empresas.

Liste suas experiências acadêmicas (nível de escolaridade, cursos feitos) e experiências profissionais (nome da empresa, cargo, data de admissão, data de demissão e principais atividades). Não minta no currículo, os exageros são facilmente descobertos nas entrevistas.

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