Estudante ganha R$ 900 no final de semana com geladinho de champagne

Gabriel Velloso vende geladinho de roska nas praias de Salvador e já tem novo sabor: de champagne

Era o carnaval de 2016. Enquanto o trá trá trá da música ‘Paredão Metralhadora’ tocava incessantemente nos trios elétricos, Gabriel Velloso, à época com 22 anos, se espremia pela multidão com a sua namorada. O motivo era um pouco diferente da maioria dos foliões que estavam ali, dava para perceber logo pelo look: cada um carregava um isopor. Das 13h, com o sol a pino, às 3h da manhã, voltando para casa em um “busão lotado”, os dois vendiam geladinho, como ele mesmo relembra. Melhor: vendiam Gelaroska.

A ideia de misturar o geladinho – sacolé, chup-chup ou dindin, pelo Brasil a fora -, com álcool nasceu por acaso. Gabriel não havia conseguido nenhum trabalho de ação promocional naquele ano, como era de costume, e decidiu ganhar dinheiro empreendendo. O resultado? Um investimento de R$ 2 mil que não deu certo. “A gente só pagou o que gastou e ainda saiu devendo”, conta ele.

O carnaval passou e o estudante de direito decidiu correr atrás do prejuízo. Na cozinha de casa testou receitas, misturou ingredientes e chegou a um produto que julgou satisfatório. Como não podia esperar até fevereiro, aproveitou o verão e apostou nas praias de Salvador. A coisa deu certo: hoje, em um único final de semana consegue faturar mais de R$ 900. Com o dinheiro que entra, ele comprou maquinário, investiu em promoters, marca própria e uma embalagem diferente. Enquanto os geladinhos tradicionais você pega da mão do vendedor e já coloca na boca, no dele há dois saquinhos: o que passa de mão em mão e serve como protetor e o que você vai morder.

No último sábado (18) a reportagem acompanhou Gabriel e um promoter, Pedro Marinho, durante as vendas no Porto da Barra. Graça Santos, 22, comerciante de sucata, mora em São Paulo e veio aproveitar alguns dias na capital baiana. Quando viu o Gelaroska de coco, não deixou passar e ainda repetiu a dose. “Isso é uma novidade para nós, nunca tinha visto. Agora bêbado não dá para ficar, sente mais o gosto da fruta do que do álcool. A gente tem costume de 30%, isso não é nada”, brinca. A comerciante se refere ao teor alcoólico do produto, que varia de 6 a 7%.

Também aproveitando o dia ensolarado para faturar uma graninha, o vendedor de picolé Fernando Santos, 28, ficou encucado quando viu o produto na mão de Graça e foi logo perguntando: “o que é isso aí?”. Quando descobriu, lembrou dos inúmeros clientes que já pediram picolé com álcool. “Eles sempre perguntam se tem picolé de cerveja, de vodka e vão logo dizendo ‘se tiver eu quero’”. Pongando na ideia do Gabriel, ele disse que vai sugerir ao fornecedor que aposte em um produto ‘para maiores de 18’.

Ainda mais gourmet

Neste ano Gabriel decidiu apostar em novos sabores e criou o gelachamp. Como o nome sugere, dessa vez ele misturou o geladinho com espumante. E jura que não é qualquer um, mas o Chandon, que custa em média R$ 80 nos supermercados de Salvador. Enquanto o gelaroska custa entre R$ 5 (de fruta) e R$ 8 (de mousse), a versão mais gourmet sai por R$ 12. Caro para um geladinho? Sem problemas, Gabriel aceita cartão de débito e de crédito. A partir de R$ 15 pode parcelar em até 3 vezes.

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