Sindicato critica adiamento de concursos dos Correios

A indicação do presidente dos Correios, Guilherme Campos, de que os concursos públicos da estatal permanecerão temporariamente suspensos pelo menos até o ano que vem não foi bem recebida por uma das federações dos funcionários da estatal. A declaração foi feita em entrevista exclusiva à FOLHA DIRIGIDA. Para o secretário-geral da Fentect, José Rivaldo da Silva, a medida faz parte de uma “operação de desmonte” da empresa.

Embora Guilherme Campos tenha afastado a possibilidade de privatização dos Correios, o discurso não convenceu o representante da categoria. “A gente tem dificuldades hoje em vários estados, de demanda, de entrega. Existe um processo da administração central capitaneado pelo presidente da empresa, de precarizar o serviço, de não atender em dia, para justificar uma possível privatização”, afirmou o sindicalista.

Com 108 mil empregados em atividade na empresa atualmente, o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos afirmou que mesmo quando o efetivo era de 128 mil, há poucos anos, já havia a necessidade de quase 20 mil trabalhadores para atender a demanda. “De lá para cá, saíram 20 mil e não se contratou mais ninguém.” Na entrevista concedida, o presidente da estatal afirmou que “em algum momento” a reposição de pessoal será necessária.

O último concurso dos Correios foi realizado em 2011 e uma nova seleção vinha sendo aguardada desde 2012. O concurso chegou a ter o edital prestes a ser divulgado em 2015, quando foi “temporariamente suspenso”, em função da necessidade de corte de gastos do governo. A seleção seria para cerca de 2 mil vagas, a maioria para carteiro.

José Rivaldo minimizou o enfraquecimento da atividade postal, que para Campos justificaria a redução de pessoal. “Apesar do advento do email, da evolução dos bancos, das empresas telefônicas, as pessoas ainda preferem receber em casa a sua fatura”, exemplificou.

Categoria poderá entrar em greve
O presidente dos Correios afirmou que até mesmo a seleção para a área de Segurança e Medicina do Trabalho, anunciada oficialmente em maio deste ano, pode não acontecer. A empresa avalia a possibilidade de contratar terceirizados para os cargos que seriam oferecidos.

José Rivaldo, da Fentect, destacou que a entidade é contra o modelo de terceirização. “A gente defende que a empresa tenha concurso público. E vamos reafirmar isso. Vamos aproveitar a negociação do acordo coletivo para deixar isso claro”, disse.

Segundo o sindicalista, as negociações deverão seguir até setembro, com as reivindicações incluindo outros temas, como o plano de saúde dos empregados. “Vamos esclarecer todos os problemas aos trabalhadores e se não tivermos êxito, a tendência é ter uma grande greve dos Correios no país”, apontou.

Os concursos dos Correios podem não ser realizados, mas há muitos opções previstas para os próximos meses. Dê uma olhada nas seleções federais esperadas para 2018.

Fonte: Anderson Borges – Folha Dirigida

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